poética dos restos

A nossa civilização pode parecer para muitos que está ruindo. E talvez até esteja. Mas, em meio ao desperdício e à incerteza, existem muitos vestígios. É justamente deles que Thiago Prado se alimenta. Sua pesquisa visual caminha por um universo que poucos gostam de ver. De fato, muitos simplesmente fingem até que não existe.

O artista, que envereda pela pintura, pela fotografia e pelo cinema, traz imagens caracterizadas pelo universo urbano. É como se a civilização deixasse pegadas, das quais ele se apropria em diversos processos de composição. Instaura assim um retrato caracterizado por pichações, marcas nas paredes e um todo pleno de interrogações para quem olha.

 

As obras que surgem desse processo são muito mais um consciente e inconsciente aglomerado de perguntas do que uma proposta de respostas. Sua arte faz emergir o desprezado e esquecido. O submundo se torna o protagonista e ver isso pode ser, para alguns, desagradável. Mas esse retrato que é mostrado do mundo nos faz pensar sobre os seus próximos passos.

Os restos a que Thiago Prado dá vida são mais do que registros. Podem ser vistos como proposições de construção e reconstrução, pois a ordem interna que deles emana surge de algo aparentemente caótico. Mas é nessa parente desordem que surge o momento de inpira-ação de uma nova reordenação. É da beleza dos restos que o todo pode se rearticular.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

sobre o artista

Um homem e um artista em transformação constante. Um alquimista da arte que consegue expressar a estética e a poesia com uma plasticidade rara, sem perder o inconformismo, a inquietude e o sarcasmo, levando cada um de nós a pensar e refletir as coisas do mundo.

 

Abstrato expressionista, Thiago Prado, desde jovem, demonstrou interesse pelas artes plásticas, mas foi em 2004 que se expressou pela primeira vez através da pintura num encontro mágico com Nisete Sampaio, tornando-se depois seu assistente.

 

Já em 2005 participa de um leilão de arte no bairro da Urca, Rio de Janeiro, com artistas veteranos como Osvaldo Gaia, Carlito Rodrigues e Sandro Donatello.

 

Formado em Comunicação Social, carioca, decidiu viver em São Paulo e estudar Cinema após passagem pela Europa. Seu temperamento contestador não o fez acomodar e está presente nos seus trabalhos mostrando a diversidade, a exclusão, as mazelas, mas sem deixar de mostrar as belezas e suavidade da vida expressa pela natureza.

 

A pluralidade artística o faz enveredar por todos os meios que possam transmitir sua visão crítica. Foi assim no vídeo experimental A TV, O Olhar e Nam June Paik, produzido por ele em 2009, e mais recentemente, na direção do documentário ainda inédito Olhar Nisete Sampaio

 

Friedrich Nietzsche dizia que “temos a arte para não morrer da verdade”, mas Thiago Prado com as cores, formas e luz, nos faz talvez ver a verdade obscura que está por trás de sua arte clara e lúcida.

 

José Luiz Bruno

Fotógrafo e Jornalista

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